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Pesquisa e Desenvolvimento

Com o cenário econômico e social cada vez mais favorável para o uso de matérias-primas de fonte renovável e alternativas ao petróleo, os pesquisadores do Centro de Inovação e Tecnologia da Braskem retomaram, em 2005, estudos para produção de eteno a partir de etanol, com objetivo de produzir um polietileno 100% “verde”, proveniente de matérias-primas renováveis.

O biopolietileno é resultado de um processo de polimerização equivalente aos processos já conhecidos e dominados, tendo como grande diferencial a obtenção do eteno, produzido por desidratação do etanol da cana-de-açúcar. Através desta tecnologia, foi possível integrar a alta experiência e competitividade do Brasil no setor sucroalcooleiro com o know-how da Braskem no desenvolvimento e na produção de resinas termoplásticas.

O processo de obtenção de eteno a partir de etanol proveniente de fonte renovável ocorre através da desidratação do álcool na presença de catalisadores. Os contaminantes gerados no processo devem ser removidos através de sistemas apropriados de purificação sendo estes o grande salto tecnológico que a Braskem desenvolveu. Como sub-produto, é gerada água que pode ser reutilizada em diferentes etapas agrícolas ou do processo industrial. O eteno possui pureza adequada para qualquer processo de polimerização e permite a obtenção de qualquer tipo de polietileno.

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A Norma ASTM D6866-06 é utilizada para determinar o conteúdo de carbono de fonte renovável em uma amostra de produtos sólidos, líquidos ou gasosos. Essa metodologia permite diferenciar carbonos de fonte fóssil e renovável. Através desse método, constatou-se que o polietileno produzido é 100% de fontes renováveis.

A cadeia na qual o polietileno verde é produzido permite uma maior redução dos níveis de dióxido de carbono na atmosfera em comparação a outros polímeros, em consequência de duas principais características: a alta produtividade da cana-de-açúcar em gerar a biomassa, que pode ser usada como fonte de energia para o processo; e a alta capacidade da molécula de eteno em armazenar carbono (86% em peso), quando comparado a outros biopolímeros.

O biopolietileno possui características equivalentes às do polietileno convencional, podendo ser empregado em diversas aplicações. Esta é uma vantagem que o polietileno verde tem em relação aos demais biopolímeros que possuem aplicações mais restritas. Com o eteno verde, é possível produzir todos os tipos de polietileno: PEAD (polietileno de alta densidade), PEBD (polietileno de baixa densidade), PEUAPM (polietileno de ultra-alto peso molecular) e PEBDL (polietileno de baixa densidade linear), com 100% de matéria-prima renovável.

A produção de 200 mil toneladas de eteno verde será polimerizada em PEAD e PEBDL. A tecnologia escolhida para a produção de PEAD é adequada para fabricação de grades de sopro grandes volumes (GM7746*), pequenos volumes (GF4950, GF4960, GF5250*) injeção (todos os grades HA, HC, HD e HE*) e filme (GM9450*). A tecnologia para produção de PEBDL permite a produção de grades para filme (LL118*), injeção (IN34 e todos os IC, ID e IF*) e rotomoldagem (MR435UV*).

*Grades mais característicos dos grupos e devem ser considerados apenas como referência. A Braskem dispõe de um grupo de engenheiros de aplicação e produto que podem apoiar o desenvolvimento de grades específico para clientes.

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O polietileno verde da Braskem alia benefícios ambientais às vantagens técnicas e de processabilidade dos polietilenos, beneficiando, assim, toda a cadeia do plástico. O produto é o resultado de uma combinação de sucesso dos mais de 30 anos da indústria de cana-de-açúcar e álcool brasileira, das vantagens do Brasil para o agronegócio e o comprometimento da Braskem com a tecnologia, inovação e sustentabilidade.

A produtividade energética da cana-de-açúcar e a profissionalização do setor de produção de álcool conferem ao ciclo de vida do PE verde vantagens ambientais excepcionais: *cada quilo de PE Verde produzido captura e fixa 2,5kg de CO2 que estão na atmosfera. Assim, colabora com a redução do efeito estufa e do aquecimento global.

Outra grande vantagem do polietileno verde é a sua versatilidade, pois todos os seus produtos podem ser usados nos maquinários das indústrias de transformação sem qualquer necessidade de investimentos em modificações ou adaptações, além de possuir custo de produção bastante competitivo no mercado mundial.

*cálculo feito com base em metodologia da BASF de análise de ciclo de vida e em parceria com a UNICAMP e CTC (Centro de Tecnologia Canavieira)

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Desde o lançamento do projeto em junho de 2007, a Braskem foi convidada a participar como palestrante principal nos maiores seminários sobre biopolímeros do mundo. Durante a Feira K (maior feira de plásticos do mundo e realizada em outubro de 2007, na Alemanha), o PE verde da Braskem foi escolhido como projeto de maior destaque na feira.

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A produção de plásticos a partir do etanol se destina a suprir os principais mercados internacionais que exigem produtos de desempenho e qualidade superiores, com destaque para a indústria automobilística, de embalagens alimentícias, cosméticos e artigos de higiene pessoal, que já realizam testes de aplicações. Avaliações realizadas na fase inicial do projeto constataram um enorme potencial de crescimento e de valorização do mercado de polímeros verdes.

O projeto pioneiro da Braskem foi reconhecido pelos principais prêmios especializados, pelo meio acadêmico, comunidade científica e indústria. Destaque para a conquista do prêmio Best Innovation in Bioplastics, concedido pela revista European Plastics News, no contexto do Global Bioplastics Award 2007. Este é um dos mais importantes reconhecimentos internacionais relacionados à tecnologia do setor. Neste ano, a empresa foi reconhecida pelo Prêmio Responsabilidade Ambiental da Global Plastics Environmental Conference (GPEC) 2009, promovido pela SPE (Society of Plastics Engineers). O reconhecimento foi conferido à Braskem em razão do projeto “Materiais Plásticos feitos de recursos renováveis”.

A tendência mundial de redução das emissões de CO2 na atmosfera, aliada à crescente escassez de petróleo, tem impulsionado a demanda por plásticos de origem vegetal. Com esse intuito, a Braskem e a Toyota Tsusho, trade company da Toyota Corporation, fecharam um acordo para desenvolver atividades conjuntas para comercialização do polietileno verde na Ásia. A Toyota Tsusho é a parceira da Braskem no programa de pesquisa e desenvolvimento de polímeros verdes. Com essa parceria, a Braskem levou, para o outro lado do mundo, o seu projeto de biopolietileno para a feira Bio Japan 2008, o mais renomado evento relacionado com produtos renováveis, que ocorreu no mês de outubro em Yokohama, Japão. A feira, além de reforçar a parceria com a Toyota Tsusho, abriu o contato para negócios futuros na região.

Foi na Bio Japan 2008 que a Braskem abriu portas para comercialização de seu polietileno de origem vegetal no país. Tanto que da produção anual estimada em 200 mil toneladas/ano do produto, 50 mil serão destinados ao mercado asiático. A confirmação desse grande interesse do mercado asiático pelo polietileno verde da Braskem é a parceria com a Shiseido, uma das maiores empresas de cosméticos japonesas. Esses acordos preveem desde o desenvolvimento conjunto de novos produtos até o simples fornecimento da resina para a produção de peças plásticas.

Em outra parceria de sucesso, Braskem e Brinquedos Estrela anunciaram o Banco Imobiliário Sustentável, versão modernizada de um dos jogos mais tradicionais da indústria de brinquedos no Brasil. Esta iniciativa teve como objetivo desenvolver produtos com polietileno verde aproveitando o conhecimento das empresas em inovação, tecnologia, meio ambiente e mercado.

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Com investimentos aprovados em R$ 500 milhões, a nova Planta de Polietileno Verde da Braskem terá capacidade de produção de 200 mil toneladas/ano de eteno e polietileno a partir da cana-de-açúcar. A unidade será instalada no Pólo Petroquímico de Triunfo, no Rio Grande do Sul, ao lado da Planta 2 da Unidade de Petroquímicos Básicos da Braskem, e tem previsão de início das operações para 2011. As plantas de polimerização disponibilizadas para o projeto PE Verde serão da própria unidade em Triunfo, a PE-5.

No início de janeiro deste ano, a Braskem recebeu da Fundação de Proteção Ambiental (Fepam) a Licença de Instalação (LI) que autorizou o início do processo de construção. Sendo que, em fevereiro, a empresa iniciou as primeiras movimentações no canteiro de obras da nova planta. A empresa já fez a reserva firme dos equipamentos críticos do projeto, como o compressor de gás de carga e compressor de trem frio. Esses são equipamentos de alta tecnologia que precisam ser encomendados com antecedência para garantir o cumprimento do cronograma.