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IMPRENSA
1/7/2008 12:22:00
Noite de autógrafos para os vencedores do Prêmio Braskem Cultura e Arte

O lançamento dos trabalhos inéditos aconteceu em 11 de junho, na Fundação Casa de Jorge Amado, em Salvador.
Foi uma noite movimentada na Fundação Casa de Jorge Amado, em Salvador, Bahia. Os vencedores do Prêmio Braskem Cultura e Arte - categoria Literatura, Herculano Neto, Márcia Tude e Victor Mascarenhas receberam convidados e imprensa para o lançamento dos seus respectivos livros premiados.

Após uma seleção criteriosa entre os 71 projetos inscritos, na versão 2007 do Prêmio, os respectivos títulos - Cinema, Calendário e Cafeína - foram editados pelo selo Casa de Palavras, da Fundação Casa de Jorge Amado, que é parceira na categoria Literatura. Cada um dos três livros ganhou uma tiragem de mil exemplares.

O Prêmio Braskem Cultura e Arte é o único focado na produção cultural inédita na Bahia e na promoção, consequentemente, de novos talentos artísticos no estado nas áreas de Música, Artes Plásticas, Cinema e Literatura. Somente nesta última categoria, já são mais de 30 títulos de escritores, poetas e contistas que tiveram seus trabalhos inéditos lançados.

A seleção dos trabalhos é feita anualmente por uma comissão técnica especializada, sendo os vencedores premiados pela Braskem com a produção dos seus projetos. A cada edição do Prêmio são patrocinados dois novos CDs, duas exposições de artes plásticas, três livros e um curta-metragem.

CONHEÇA MAIS SOBRE OS PREMIADOS 2007

Cinema (Poesias)
"O livro tem esse nome porque tenho na minha poesia uma carga muito grande de imagens, de personagens. Por ser também ficcionista, tanto minha prosa como a poesia se auto contaminam", revela o autor da obra Cinema, Herculano Neto. Além de diretores como Ingmar Bergman, Federico Fellini, Hitchcock, Scorsece e Woody Allen, que o influenciaram mais do que muitos poetas, ele admira Manuel Bandeira, Caio Fernando Abreu, Fabrício Carpinejar e Ana Cristina Cesar, sem mencionar a importância da música em sua vida, que vai de Nelson Cavaquinho ao rock inglês dos Smiths.

O livro é dividido em três partes: a primeira, intitulada FILMOGRAFIA, apresenta o poeta hoje, perdido na metrópole; a segunda, CURTA-METRAGEM, é uma espécie de comédia romântica, cheia de idas e vindas; e a terceira e última, MATINÊS, são os olhos do poeta sobre a infância até chegar ao que foi apresentado no começo do livro. No prefácio da obra, o também escritor Manuel Carneiro resume: "Herculano Neto guarda a infância como algo precioso e inesgotável de inventários, e a filmografia avança a cada página trazendo lembrança e saudade de matinês esquecidas num canto da sala dentro de um saco vazio de pipoca. A evocação de lembranças amargas eclode nos versos deste poeta".

O autor
Herculano Neto nasceu em Santo Amaro da Purificação (BA). É poeta, ficcionista e letrista de música popular. Participou das antologias Os Outros Poemas de Que Falei (Prêmio Banco Capital de Literatura, 2004) e Sob Prescrição (Laetitia Editore, 2006). Em 2007, recontou o disco Transa, de Caetano Veloso (http://mojobooks.com.br), e teve seus textos publicados pela Revista Cult. Possui canções gravadas por artistas como Raimundo Fagner, Alcione e Roberto Mendes. Cineclubista, roteirista de filmes inacabados, funcionário público, neto do Herculano, um reles contador de estórias. É assim que ele se auto-descreve. Nesse currículo, agora poderá inserir "Cinema", publicado pela Fundação Casa de Jorge Amado através do Prêmio Braskem de Cultura e Arte, um "livro que tem uma carga muito grande de imagens, que o faz relembrar da infância até os momentos atuais, mas nada tem a ver com o cinema propriamente dito", enfatiza. Um dos três vencedores, Herculano acredita que este prêmio é mais um incentivo. "Entendo que premiações como as promovidas pela Braskem são essenciais para o artista, principalmente para a literatura no cenário baiano, onde não existem muitas possibilidades", afirma.

Cafeína (contos)
O livro de estréia de Victor Mascarenhas, Cafeína - que tem a capa ilustrada por Cau Gomez e texto de apresentação de Fausto Fawcett -, é uma coleção de doze contos em que não há heróis ou mocinhas, muito menos espaço para mitificações. Os personagens são motoristas de táxi, porteiros, garçons, aposentados, prostitutas e gente comum em geral.

"Os doze contos de ’Cafeína’ são um passeio dantesco por vidinhas que andam em círculos de imobilidade mental, social, sentimental. Pessoas cujos corações transformaram-se em bombas-relógio prontas a explodir por qualquer motivo", é o que diz Fausto Fawcett no seu texto de apresentação. "Victor sabe muito bem flagrar o dark side, o lado escuro cheio de vida estranha dos habitantes de Salvador, sabe muito bem tocar na vibração da cidade como metrópole de um país ainda periférico, metrópole que é aglomerado urbano cheio de tensão e iminência bárbara. Victor sabe muito bem derramar sal na ferida das vidas vazias", diz Fawcett.

Segundo Victor Mascarenhas, o título "Cafeína" - que é também o nome de um dos contos - é muito mais um conceito de todo o projeto, que também está na internet, onde estão disponíveis dois roteiros para cinema e uma peça de teatro, adaptadas de contos do livro. "A idéia é que o livro não se encerre somente nele mesmo. Quero que ele ganhe outras mídias, que alguém filme esses ou outros roteiros baseados nele, que monte uma peça com esse ou outros textos adaptados das minhas histórias. O importante é que o trabalho esteja vivo e chegue ao maior número de pessoas possível. E acredito que o Prêmio Braskem Cultura e Arte vem agregar muito ao meu trabalho".

O autor
Victor Mascarenhas é baiano, tem 34 anos e é formado em Comunicação, com pós-graduação em Roteiros para TV e Vídeo. Publicitário, professor e roteirista atua em várias áreas ligadas à comunicação. No cinema, foi um dos roteiristas do longa-metragem "Esses Moços" (2004), atuou como assistente de direção em "3 histórias da Bahia" (2001) e foi produtor de elenco em Rádio Gogó (1999). Escreveu e dirigiu o curta Pop Killer (1998) e clipes para bandas como Brincando de Deus e Maria Bacana. Como redator publicitário, recebeu diversos prêmios e atuou em campanhas políticas. No blog do livro (www.livrocafeina.blogspot.com), estão disponíveis informações sobre o autor, o livro, contato e espaço para comentários.

Calendário (poesia)
"O livro de poemas é fruto de uma oficina de criação literária há dois anos, com a orientação de Ildásio Tavares, mestre e amigo. Resolvi dar este título ao livro para reafirmar a preponderância dos astros sobre a natureza humana, já que, desde a pré-história, o homem se deslumbra pelo nascer e pôr do sol, pelas estrelas e pelo espetáculo das fases da lua - referências para contar o tempo", explica a autora Márcia Tude. "Calendário" está estruturado a partir das suas vivências durante os meses em que cada poema foi escrito, revelando fases mais propícias ao verso livre, outras mais voltadas às formas fixas. Por isso há um passeio pelos versos curtos, sonetos, hexassílabos e décimas. "É sempre uma questão de fase e de como me encontro emocionalmente em cada período", resume.

A autora
Márcia Tude nasceu em Salvador em 1972. É poeta e atualmente dirige a editora Livro.com. Ela conquistou o primeiro lugar, em 1989, no Concurso de Redação promovido pelo Gabinete Português de Leitura para Estudos Universitários, em Portugal. "Estudar no Porto expandiu muito a minha percepção literária. Foi quando tive a oportunidade de conhecer o trabalho de Adília Lopes, Casimiro de Brito, Miguel Torga, Sophia de Mello Brayner, entre outros, que influenciou bastante o que escrevo hoje".


 
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