EVA para calçados: sua história e seu uso

 

EVA para calçados

 

Juliani Cappra*

A necessidade do uso de calçados começou na pré-história, onde folhas e peles de animais eram usados para proteger os pés contra temperaturas extremas, terrenos irregulares ou mesmo picadas de insetos. Com o passar do tempo, essa prática ganhou influência da cultura, da moda, da economia, da descoberta de novos materiais e da tecnologia. Escolher um par de tênis passou a ser a diferença entre uma vitória ou derrota para atletas profissionais, passou a ser uma questão de saúde para pessoas que ficam muitas horas em pé por dia ou uma questão de conforto para consumidores comuns. Nessa evolução, o EVA (copolímero de etileno acetato de vinila) possui um papel importante, pois é utilizado na fabricação de palmilhas e entressolas.

O copolímero de EVA é composto por uma estrutura química de Etileno (E) com inserções de diferentes teores de Acetato de Vinila (VA do inglês "Vinyl Acetate"), que influenciam nas propriedades finais do produto. Quanto maior a quantidade de VA, mais a peça se assemelha a uma borracha, seja na aparência ou no toque. O aumento do teor de VA também influencia diretamente aspectos de colagem, diminuição da dureza, maior flexibilidade e maior resistência à deformação, para que a espuma, interna ou externa, se mantenha sem marcas e sustentando a aparência original da peça por mais tempo.

Para produzir um produto expandido de EVA, como uma palmilha ou entressola, é feita uma mistura com outras matérias-primas, como cargas, auxiliares de fluxo, pigmentos, reticulantes, agentes expansores e, às vezes, outros tipos de polímeros. Os processos podem variar, seja na fabricação de uma grande placa para posterior recorte das peças, ou na injeção do produto pronto para a montagem de um calçado. A escolha dos tipos e quantidades de cada aditivo e o processo de fabricação, influenciará em características também importantes para o produto final, como leveza e capacidade de absorver impactos. Se, durante a fabricação existirem falhas e sobras, elas podem ser recicladas, sendo moídas, transformadas em pó e agregadas a uma nova mistura para o mesmo produto.

A Braskem disponibiliza em seu portfólio de produtos a linha Braskem Evance, um EVA modificado, que possibilita a fabricação de uma única peça que cumpre o papel de entressola e sola simultaneamente, dispensando a necessidade da fabricação ou montagem do calçado. A espuma pode ficar diretamente em contato com o chão, pois tem coeficiente de fricção suficiente ("grip") para evitar escorregamento e, por entregar valores baixos de abrasão, permite que o solado tenha uma durabilidade maior. Para produtos mais sustentáveis, a Braskem lançou sua linha verde de EVA e Evance, que são produzidos com fonte renovável, pois a parte de etileno pode ser produzida a partir da cana-de-açúcar ao invés do petróleo. A produção desse tipo de resina ajuda o planeta, pois captura da atmosfera gases que causam afeito estufa.

Os avanços cada vez mais rápidos na tecnologia, sustentabilidade, simplificação da produção, impressão 3D e customização, estão no radar de grandes empresas de calçados e consumidores exigentes. A Braskem tem a estrutura, as resinas, a visão e percepção do mercado e o apoio técnico para ajudar no desenvolvimento de matérias-primas para a indústria calçadista. A moda muda constantemente e cabe ao consumidor escolher o modelo de calçado de preferência e, por meio da oferta de resinas de EVA da Braskem, podemos facilitar a fidelização à marca produzindo um sapato confortável, durável e funcional.

 

*Juliani Cappra é especialista em polímeros na Braskem.

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